quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Importante saber isso


OS DOGMAS DE FÉ DA IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA.
O termo "dogma" provém da língua grega, "dogma", que significa "opinião" e "decisão". No Novo Testamento, é empregado no sentido de decisão comum sobre uma questão, tomada pelos apóstolos (cf. At 15,28). Os Padres da Igreja, antigos escritores eclesiásticos, usavam a palavra dogma para designar o conjunto dos ensinamentos e das normas de Jesus e também uma decisão da Igreja.
Pouco a pouco, a Igreja, com o auxílio dos teólogos e pensadores cristãos, precisou e esclareceu o sentido de dogma. Na linguagem atual do Magistério e da Teologia, o "dogma" é uma doutrina na qual a Igreja: quer com um juízo solene, quer mediante o magistério ordinário e universal, propõe de maneira definitiva. É uma verdade revelada, de uma forma que obriga o povo cristão a crer nele, em sua totalidade, de modo que sua negação é repelida como heresia e estigmatizada com anátema. (Marcelo Semeraro, professor de Teologia).
Definidos pelo magistério da Igreja de maneira clara e definitiva, os dogmas são verdades de fé, contidas na Bíblia e na Tradição. Não se tratam de invenções novas, ou coisa apenas dos homens.
Na Igreja os dogmas são importantes, porque ajudam os cristãos a se manterem fiéis na fé genuína do cristianismo. "Os dogmas são como placas que indicam o caminho de nossa fé. Foram criados para ajudar a gente a se manter no rumo do Santuário vivo, que é Jesus" (CNBB. Com Maria, Rumo ao Novo Milênio. pág. 81).
Muitos protestantes combatem os Dogmas da Igreja católica, entretanto não percebem que os dogmas são fundamentos doutrinários que não permitem divergências, e levam a unidade da Igreja.
Para que o ensinamento divino contido nas Sagradas Escrituras seja um dogma são necessárias duas condições:
1) O sentido deve estar suficientemente manifestado.
2) Esta doutrina deve ser proposta pela Igreja como revelada. Quando o texto das Escrituras estiver definido pela igreja como contendo um dogma revelado, com sentido preciso e determinado, é um dever estrito para os católicos aceitá-lo.
"O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão." (Mt, 24, 35)
        
"Mas, ainda que alguém - nós ou um anjo baixado do céu - vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema". (Epístola de São Paulo aos Gálatas, 1,8)

D. 39.1 Definição dos dogmas pela autoridade pela Igreja
§88 O Magistério da Igreja empenha plenamente a autoridade que recebeu de Cristo quando define dogmas, isto é, quando, utilizando uma forma que obriga o povo cristão a uma adesão irrevogável de fé, propõe verdades contidas na Revelação divina ou verdades que com estas têm uma conexão necessária.
D. 39.3 Dogmas de fé
§89 Há uma conexão orgânica entre nossa vida espiritual e os dogmas. Os dogmas são luzes no caminho de nossa fé que o iluminam e tornam seguro. Na verdade, se nossa vida for reta, nossa inteligência e nosso coração estarão abertos para acolher a luz dos dogmas da fé.
§90 Os laços mútuos e a coerência dos dogmas podem ser encontrados no conjunto da Revelação do Mistério de Cristo. "Existe uma ordem ou 'hierarquia' das verdades da doutrina católica, já que o nexo delas com o fundamento da fé cristã é diferente."
OS DOGMAS DA IGREJA.
A seguinte compilação de todos os Dogmas da Igreja Católica foi obtida do trabalho do Dr. Ludwig Ott, Fundamentos do Dogma Católico, publicado pelo Mercier Press Ltd., Cork, Irlanda, 1955. Este livro tem o Imprimatur do Bispo Cornelius. Reimpresso nos EUA pela Tan Books and Publishers, Rockford, Illinois, 1974. 


I. A Unidade e a Trindade de Deus
1. Deus, nosso Criador e Senhor, pode ser conhecido, com absoluta certeza, pela luz natural da razão das coisas criadas.
2. A existência de Deus não é meramente um objeto de conhecimento racional, mas também um objeto da fé sobrenatural.3. A Natureza de Deus é incompreensível para os homens.
4. Os bem-aventurados no Céu possuem um conhecimento intuitivo imediato da Essência Divina.
5. A visão imediata de Deus transcende a força natural da percepção da alma humana, e é, portanto, sobrenatural.
6. A alma requer a luz da glória para a visão imediata de Deus.
7. A Essência de Deus é igualmente incompreensível para o bem-aventurado no Céu.
8. Os atributos divinos são realmente idênticos entre si e com a Divina Essência.
9. Deus é absolutamente perfeito.
10. Deus é verdadeiramente infinito em toda a perfeição.
11. Deus é absolutamente simples.
12. Há somente um Deus.
13. O Deus único é, no sentido ontológico, o verdadeiro Deus.
14. Deus possui um poder infinito de percepção.
15. Deus é verdade absoluta.
16. Deus é absolutamente fiel.
17. Deus é absoluta bondade ontológica Nele mesmo e em relação aos outros.
18. Deus é absoluta bondade moral ou santidade.
19. Deus é absoluta benignidade.
20. Deus é absolutamente imutável.
21. Deus é eterno.
22. Deus é imenso ou absolutamente imensurável.
23. Deus está presente em todo o lugar no espaço criado.
24. O conhecimento de Deus é infinito.
25. O conhecimento de Deus é pura e simplesmente atual e verdadeiro.
26. O conhecimento de Deus é subsistente.
27. Deus conhece tudo que é meramente possível pelo conhecimento da inteligência simples.
28. Deus conhece todas as coisas reais do passado, presente e futuro.
29. Pelo conhecimento da visão, Deus também prevê as futuras ações livres das criaturas racionais com a certeza infalível.
30. A Vontade Divina de Deus é infinita.
31. Deus Se ama pela necessidade, mas ama e deseja a criação de coisas extra-divinas, por sua vez, com liberdade.
32. Deus é Todo-Poderoso.
33. Deus é o Senhor dos céus e da terra.
34. Deus é infinitamente justo.
35. Deus é infinitamente misericordioso.
36. Em Deus há três Pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Cada uma das três Pessoas possui uma Divina Essência (numérica).
37. Em Deus há duas procissões divinas internas.
38. As Pessoas Divinas, não a Divina Natureza, são os sujeitos das procissões divinas internas (no sentido ativo e passivo).
39. A Segunda Pessoa Divina procede da Primeira Pessoa Divina pela geração, portanto é relacionada a Ele como Filho para o Pai.
40. O Espírito Santo procede do Pai e do Filho como de um único princípio através de uma única inspiração.
41. O Espírito Santo não procede através da geração, mas através da inspiração.
42. As relações em Deus são realmente idênticas com a Natureza Divina.
43. As Três Pessoas Divinas estão um em outro.
44. Todas as atividades ad extra de Deus são comuns para as Três Pessoas.

II. Deus o Criador

1. Tudo que existe fora de Deus foi, na sua total substância, produzido do nada por Deus.
2. Deus, ao criar o mundo foi movido pela Sua bondade.
3. O Universo foi criado para a glorificação de Deus.
4. As Três Pessoas Divinas são o único, princípio comum da criação.
5. Deus criou nosso mundo livre da compulsão exterior e necessidade interior.
6. Deus criou um mundo bom.
7. O mundo teve um começo no tempo.
8. Só Deus criou o mundo.
9. Deus mantém todas as coisas criadas na existência.
10. Deus, através da Sua Providência, protege e guia tudo que Ele criou.
11. O primeiro homem foi criado por Deus.
12. O homem consiste de duas partes essenciais - o corpo material e a alma espiritual.
13. A alma racional de per si é a forma essencial do corpo.
14. Cada ser humano possui uma alma individual.
15. Deus confere ao homem um destino sobrenatural.
16. Os nossos primeiros pais, antes da queda, eram dotados da graça santificante.
17. Em acréscimo à graça santificante, os nossos primeiros pais eram dotados com o dom preternatural da imortalidade corporal.
18. Os nossos primeiros pais no Paraíso pecaram gravemente através da transgressão do mandamento probatório Divino.
19. Através do pecado os nossos primeiros pais perderam a graça santificante e provocaram a ira e a indignação de Deus.
20. Os nossos primeiros pais tornaram-se sujeitos a morte e a dominação do mal.
21. O pecado de Adão é transmitido a sua posteridade, não pela imitação, mas pela descendência.
22. O pecado original é transmitido pela geração natural.
23. No estado de pecado original o homem é desprovido da graça santificante e tudo que isto implica, assim como os dons sobrenaturais da integridade.
24. As almas que partem desta vida no estado de pecado original são excluídas da Visão Beatífica de Deus.
25. No começo do tempo Deus criou as essências espirituais (anjos) do nada.
26. A natureza dos anjos é espiritual.
27. Os espíritos maus (demônios) foram criados bons por Deus; eles se tornaram perversos através das suas próprias faltas.
28. A tarefa secundária dos bons anjos é a proteção dos homens e o cuidado da sua salvação.
29. O mal possui certo domínio sobre a humanidade por causa do pecado do Adão.
 
III. Deus o Redentor

1. Jesus Cristo é verdadeiro Deus, e é verdadeiro Filho de Deus.
2. Cristo assumiu um corpo real, e não um corpo aparente.
3. Cristo assumiu não apenas um corpo, mas também uma alma racional.
4. Cristo foi verdadeiramente gerado e nascido de uma filha do Adão, a Virgem Maria.
5. As naturezas, humana e Divina estão unidas hipostaticamente (União mística) em Cristo, isto é, unida uma a outra numa Pessoa.
6. Na união hipostática cada uma das duas naturezas de Cristo continua intacta, imutável e independente uma para com a outra.
7. Cada uma das duas naturezas em Cristo possui sua vontade natural e seu próprio modo de operação.
8. A união hipostática da natureza humana de Cristo com o Logos Divino teve lugar no momento da concepção.
9. A união hipostática se efetuou com as Três Pessoas Divinas agindo em comum.
10. Apenas a segunda Pessoa Divina tornou-se Homem.
11. Não apenas como Deus, mas também como homem Jesus Cristo é o Filho natural de Deus.
12. O Deus-Homem Jesus Cristo deve ser venerado com um único modo de adoração, a adoração absoluta de latria que é devida somente a Deus.
13. As características e atividades Divina e humana de Cristo devem ser predicadas do único Verbo Encarnado.
14. Cristo era livre de todo o pecado, tanto do pecado original quanto do pecado pessoal.
15. A natureza humana de Cristo era passável.
16. O Filho de Deus se tornou homem para redimir os homens.
17. O homem caído não pode se redimir.
18. O Deus-Homem Jesus Cristo é um sacerdote régio.
19. Cristo Se ofereceu sobre a Cruz como um verdadeiro e distinto sacrifício.
20. Cristo pelo Seu sacrifício sobre a Cruz redimiu-nos e reconciliou-nos com Deus.
21. Cristo através da Sua paixão e morte mereceu a recompensa de Deus.
22. Após a Sua morte, a Alma de Cristo, que foi separada do Seu Corpo, desceu a mansão dos mortos.
23. No terceiro dia após a Sua morte, Cristo ressuscitou gloriosamente dos mortos.
24. Cristo ascendeu em corpo e alma para o Céu e está sentado a direita do Pai.
 
IV. A Mãe do Redentor

1. Maria é verdadeiramente a Mãe de Deus.
2. Maria foi concebida sem nenhuma mancha do pecado original. Maria concebeu pelo Espírito Santo sem a cooperação do homem.
3. Maria deu a luz o seu Filho sem qualquer violação da sua integridade virginal. Após o nascimento de Jesus, Maria permaneceu Virgem.
4. Maria foi assunta em corpo e alma ao Céu.
 
V. Deus o Santificador

1. Há uma intervenção sobrenatural de Deus nas faculdades da alma, da qual precede a ação livre da vontade.
2. Há uma influência sobrenatural de Deus nas faculdades da alma que coincide no tempo com a ação livre da vontade do homem.
3. Para toda a ação salutar, é absolutamente necessária a graça sobrenatural interna de Deus (gratia elevans).
4. A graça sobrenatural interna é absolutamente necessária para o início da fé e salvação.
5. Sem o auxílio especial de Deus, o justificado não pode perseverar até o fim na justificação.
6. A pessoa justificada não é capaz na sua vida de evitar pecados, mesmo que sejam pecados veniais, sem o privilégio especial da graça de Deus.
7. Mesmo no estado de caído, o homem pode por sua natural força intelectual, saber as verdades religiosas e a moral.
8. Para o desempenho de ações moralmente boas, não se requer graça santificante.
9. No estado da natureza caída, é moralmente impossível ao homem sem a Revelação sobrenatural, saber facilmente, com absoluta certeza, e sem uma mescla de erro, toda verdade religiosa e moral da ordem natural.
10. A graça não pode ser merecida por obras naturais mesmo de condigno ou de côngrua. (Côngrua: pensão concedida aos párocos! Sinal de que o mérito da graça se obtém apenas pelas obras da fé. Não é doação do bem em si que trás o mérito da graça, e sim o desejo de fazer o bem a um irmão, o amor que se emprega na ação, porque Deus assim o deseja e pede.)
11. Deus dá toda a graça suficiente para a observação dos mandamentos divinos. (ninguém pode alegar que é tentado além de suas forças)
12. Deus, pela Sua eterna resolução da Vontade, tem determinado certos homens para bem-aventurança eterna. (Deus, ao criá-los, já sabe que livremente se salvarão)
13. Deus, por uma resolução eterna da Sua Vontade, predestina certos homens, por conta dos seus pecados previstos, para a rejeição eterna. (Deus, ao criá-los, já sabe que livremente irão se perder no inferno. Deus não interfere no seu livre desejo, como não interferiu com os anjos caídos. Estes homens recebem, como todos os outros, infinitas chances de salvação e rejeitam todas, por absoluta teimosia. Ao invés de amarem a Deus, eles decidem amar ao pecado, e morrem nele).
14. A vontade humana permanece livre sob a influência da graça eficaz, que não é irresistível. (Se fosse irresistível todos se salvariam, e então não haveria liberdade)
15. Há graça que é verdadeiramente suficiente e mesmo assim permanece ineficaz. (A graça da salvação é suficientemente dada também aos que se perdem, mas estes a rejeitam livremente).
16. As causas da Justificação (Definidas pelo Concílio de Trento):
1. A causa final é a honra de Deus e de Cristo e a vida eterna dos homens.
2. A causa eficiente é a misericórdia de Deus.
3. A causa meritória é Jesus Cristo, que como mediador entre Deus e os homens, se reconciliou por nós e mereceu-nos a graça pela qual nós somos justificados.
4. A causa instrumental da primeira justificação é o Sacramento do Batismo. Assim ela define que Fé é precondição necessária para justificação (dos adultos).
5. A causa formal é a Justiça de Deus, não pela qual Ele por Si é justo, mas a qual Ele nos faz justos, isto é, a Graça Santificante.
17. O pecador pode e deve preparar-se pelo auxílio da graça atual para o recebimento da graça pela qual ele é justificado.
18. A justificação de um adulto não é possível sem fé.
19. Além da fé, as ações futuras de disposição devem estar presentes. ( A pessoa deve desejar a sua salvação e lutar bravamente por ela, senão não haveria mérito pessoal. Não basta dizer que se aceitou Jesus, e dispensar os sacramentos que eles nos deixou)
20. A graça santificante santifica a alma.
21. A graça santificante torna o homem justo amigo de Deus.
22. A graça santificante torna o homem justo um filho de Deus e dá-lhe um clamor para a herança do céu.
23. As três virtudes Divinas ou teológicas da fé, esperança e caridade são infundidas com a graça santificante.
24. Sem a Revelação Divina especial ninguém pode conhecer a certeza da fé, se ele está em estado de graça.
25. O grau da graça justificante não é idêntico em todos os justos.
26. A graça pode ser aumentada com boas obras.
27. A graça pela qual nós somos justificados pode se perder, e é perdida por todo pecado grave.
28. Por suas boas obras, o homem justificado realmente adquire um clamor para a recompensa sobrenatural de Deus.
29. Um homem justo merece a si através de cada boa obra um aumento da graça santificante,vida eterna (se a morte encontra-o no estado de graça) e um aumento na glória celeste.
 
IV. A Igreja Católica

1. A Igreja Católica foi fundada por Deus-Homem Jesus Cristo.
2. Cristo fundou a Igreja Católica a fim de continuar a Sua obra da redenção por todo o tempo.
3. Cristo deu a Sua Igreja uma constituição hierárquica.
4. Os poderes conferidos sobre os Apóstolos descendem para os Bispos.
5. Cristo nomeou o Apóstolo Pedro para ser o primeiro de todos os Apóstolos e ser a Cabeça visível de toda a Igreja Católica, pela sua nomeação imediata e pessoalmente para a primazia da jurisdição.
6. De acordo com o decreto de Cristo, Pedro terá sucessores na sua Primazia sobre toda a Igreja Católica e para todo o tempo.
7. Os sucessores de Pedro na Primazia são os Bispos de Roma.
8. O Papa possui poder de jurisdição completo e supremo sobre toda a Igreja Católica, não meramente nas matérias da fé e moral, mas também na disciplina e no governo da Igreja.
9. O Papa é infalível quando ele fala ex cathedra.
10. Pela virtude do direito Divino, os Bispos possuem um poder ordinário de governo sobre suas dioceses.
11. Cristo fundou a Igreja Católica.
12. Cristo é a Cabeça da Igreja Católica.
13. Na decisão final sobre doutrinas concernentes a fé e moral, a Igreja Católica é infalível.
14. O objeto primário da Infalibilidade são as verdades formalmente reveladas da Doutrina Cristã concernentes a fé e moral.
15. A totalidade dos Bispos é infalível, quando eles, ou reunidos em conselho geral ou espalhados sobre a terra propõem um ensinamento de fé ou moral como aquele que deve ser guardado por todos os fiéis.
16. A Igreja fundada por Cristo é única e una.
17. A Igreja fundada por Cristo é santa.
18. A Igreja fundada por Cristo é católica.
19. A Igreja fundada por Cristo é apostólica.
20. Tornar-se membros da Igreja Católica é necessário a todo o homem para a salvação.
 
VII. A Comunhão dos Santos

1. É admissível e benéfico venerar os Santos do Céu, e invocar a sua intercessão.
2. É admissível e benéfico venerar as relíquias dos Santos.
3. É admissível e benéfico venerar as imagens de Santos.
4. Os fiéis vivos podem recorrer ao auxílio das almas do Purgatório por suas intercessões.
 
VIII. Os Sacramentos

1. Os Sacramentos da Nova Aliança contêm a graça a qual eles significam, e conferem-na sobre aqueles que não a impedem.
2. Os Sacramentos trabalham ex opere operato, isto é, os sacramentos operam pelo poder do rito sacramental completo.
3. Todos os Sacramentos da Nova Aliança conferem graça santificante sobre os receptores.
4. Os três Sacramentos, Batismo, Confirmação, e Santas Ordens, imprimem um caráter, que é uma marca espiritual indelével, e, por esta razão, não podem ser repetidos.
5. O caráter sacramental é uma marca espiritual impressa na alma.
6. O caráter sacramental continua pelo menos até a morte daquele que o carrega.
7. Todos os Sacramentos da Nova Aliança foram instituídos por Jesus Cristo.
8. Há sete Sacramentos da Nova Lei.
9. Os Sacramentos da Nova Aliança são necessários para a salvação da humanidade.
10. A validade e a eficácia do Sacramento é independente da ortodoxia do ministro e estado da graça.
11. Para a válida administração do Sacramento é necessário que o ministro realize o sinal Sacramental de uma maneira correta.
12. O ministro deve ter a intenção de pelo menos fazer o que a Igreja faz.
13. No caso de receptores adultos é necessário o merecimento moral para recepção merecida ou frutífera dos Sacramentos.
 
IX. Batismo

1. Batismo é um verdadeiro Sacramento instituído por Jesus Cristo.
2. A matéria remota do Sacramento do Batismo é a verdade e a água natural.
3. O Batismo confere a graça da justificação.
4. O Batismo efetiva a remissão de todos os castigos do pecado, tanto eterno quanto temporal.
5. Mesmo recebido imerecidamente, o Batismo válido imprime na alma do receptor uma marca espiritual indelével, o Caráter Batismal, e por esta razão, o Sacramento não pode ser repetido.
6. O Batismo pela água (Baptismus fluminis) é, desde a promulgação do Evangelho, necessário para todo o homem sem exceção para salvação.
7. O Batismo pode ser validamente administrado por qualquer pessoa.
8. O Batismo pode ser recebido por qualquer pessoa durante o perigo de vida e que ainda não esteja batizada.
9. O Batismo de uma criança recém nascida é válido e lícito.
 
X. Confirmação

1. A Confirmação é um verdadeiro Sacramento propriamente assim chamado.
2. A Confirmação imprime sobre a alma uma marca espiritual indelével, e por esta razão, não pode ser repetida.
3. O ministro ordinário da Confirmação é somente o Bispo. (Em casos de força maior, também um padre pode ser nomeado pelo Bispo a fim de administrar este Sacramento)
 
XI. Santa Eucaristia (Definido em grande parte no Concílio de Trento)

1. O Corpo e o Sangue de Jesus Cristo estão verdadeiramente, realmente, e substancialmente presente na Eucaristia.
2. Cristo torna-se presente no Sacramento do Altar pela transformação de toda a substância do pão em Seu Corpo e de toda a substância do vinho em Seu Sangue.
3. Os acidentes do pão e vinho continuam após a transformação da substância.
4. O Corpo e Sangue de Cristo juntos com Sua Alma e Divindade e, portanto, todo Cristo, estão verdadeiramente presentes na Eucaristia.
5. O Cristo Completo está presente sob cada uma das duas Espécies.
6. Quando qualquer Espécie consagrada é dividida, o Cristo Completo está presente em cada parte das Espécies.
7. Após o término da Consagração o Corpo e Sangue estão permanentemente presente na Eucaristia.
8. O Culto da Adoração (latria) deve ser dado ao Cristo presente na Eucaristia.
9. A Eucaristia é um verdadeiro Sacramento instituído por Jesus Cristo.
10. A matéria para a consumação da Eucaristia é o pão e o vinho.
11. Para a criança antes da idade da razão, a recepção da Eucaristia não é necessária para a salvação.
12. Comunhão sob duas espécies não é necessária para qualquer membro individual dos Fiéis, quer pela razão do preceito Divino quer como meio da salvação.
13. O poder da consagração reside apenas nos sacerdotes consagrados validamente.
14. O Sacramento da Eucaristia pode ser validamente recebido por todas as pessoas batizadas em perigo de vida, incluindo crianças jovens.
15. Para a recepção válida da Eucaristia, são necessários o estado de graça e a disposição apropriada e devota.
16. A Santa Missa é um Sacrifício verdadeiro e distinto.
17. No Sacrifício da Missa, o Sacrifício de Cristo na Cruz é feito presente, a sua memória celebrada, e o seu poder salvífico empregado.
18. No Sacrifício da Missa e no Sacrifício da Cruz o Dom Sacrifical e o Sacerdote Sacrificante Primário são idênticos; apenas a natureza e o modo de oferecimento são diferentes.
19. O Sacrifício da Missa não é meramente um sacrifício de louvor e ação de graças, mas também um sacrifício da expiação e impetração.
 
XII. Penitência

1. A Igreja recebeu do Cristo o poder de remir os pecados cometidos após o Batismo. (Portanto, não existe confissão direta com Céus como alegam as seitas)
2. Pela Absolvição da Igreja os pecados são verdadeiramente e imediatamente remidos. (sem a confissão e a absolvição dos pecados por um sacerdote católico, também Deus não perdoa)
3. O poder da Igreja de perdoar os pecados estende-se a todos os pecados sem exceção. (Não existe pecado confessado e arrependido que não tenha perdão. Duvidar disso é pecar contra o Espírito Santo, pois é duvidar da Misericórdia de Deus.)
4. O exercício do poder da Igreja para perdoar os pecados é um ato judicial.
5. O perdão de pecados que tem lugar no Tribunal da Penitência é um Sacramento verdadeiro e válido, que é distinto do Sacramento do Batismo.
6. A Justificação extra-sacramental é efetivada pelo perfeito arrependimento apenas quando ele é associado com o desejo para o Sacramento (votum sacramenti).
7. A Contrição emergindo por motivo de temor é moralmente boa e ação sobrenatural. (Quer dizer que a pessoa se arrepende, mesmo que por temor do castigo eterno)
8. A confissão Sacramental do pecado é ordenado por Deus e é necessária para a salvação. (Quer dizer que sem confissão não se chega direto ao Céu)
9. Pela virtude da Divina ordenança, todos os pecados graves de acordo com espécie e número, assim como aquelas circunstâncias que alteram a sua natureza, são objetos da obrigação da confissão.
10. A confissão de pecados veniais não é necessária, mas é permitida e é útil. (Do acúmulo de muitos pecados, leves, facilmente se parte para os mortais)
11. Nem todos os castigos temporais para o pecado são sempre remidos por Deus da culpa do pecado e o castigo eterno.
12. O sacerdote tem o direito e o dever, de acordo com a natureza dos pecados e a possibilidade do penitente, de impor obras salutares e apropriadas para a satisfação. (Caso a pessoa cumpra com toda fidelidade e amor a penitência imposta pelo confessor, pode com isso remir as penas devidas por tais pecados, quanto a Justiça divina)
13. As obras penitenciais extra-sacramentais, tais como desempenhar práticas penitenciais voluntárias e suportar pacientemente as provações mandadas por Deus, possuem valor satisfatório.
14. A forma do Sacramento da Penitência consiste nas palavras da Absolvição.
15. A absolvição, em associação com os atos do penitente, efetiva o perdão dos pecados.
16. O efeito principal do Sacramento da Penitência é a reconciliação do pecador com Deus.
17. O Sacramento da Penitência é necessário para a salvação daqueles que, após o Batismo, caem em pecado grave. (Note-se que o batismo adulto, quando recebido em estado consciente e não contrito de pecado grave, é sacramento inválido, porque sacrílego de quem o recebe. O Batismo só perdoa os pecados de quem se arrepende deles).
18. Os únicos proprietários do Poder de Absolvição da Igreja são os Bispos e os sacerdotes.
19. A absolvição dada por diáconos, clérigos ou ordem inferior, e leigos não é Absolvição Sacramental.
20. O Sacramento da Penitência pode ser recebido por qualquer pessoa batizada que, após o Batismo, cometeu um pecado grave ou venial.
21. O uso das Indulgências é útil e salutar para o Fiel. (Todas as indulgências concedidas pela Igreja continuam válidas, mesmo as mais antigas)
 
XIII. Santas Ordens

1. Santa Ordem é um Sacramento verdadeiro e distinto que foi instituído por Jesus Cristo.
2. A consagração dos sacerdotes é um Sacramento.
3. Bispos são superiores aos sacerdotes. O Bispo de Roma é o Papa e é o chefe de todos.
4. O Sacramento da Ordem confere graça santificante sobre o receptor.
5. O Sacramento da Ordem imprime um caráter sobre o receptor.
6. O Sacramento da Ordem confere um poder espiritual permanente sobre o receptor.
7. O dispensador ordinário de todos os graus da Ordem, tanto sacramental e não-sacramental, é apenas o Bispo validamente consagrado.
 
XIV. Matrimônio

1. O casamento é um Sacramento verdadeiro e distinto instituído por Deus.
2. Do contrato sacramental do casamento emerge a Aliança do Casamento, que liga ambos os parceiros do casamento para uma comunidade de vida indivisível até o fim da vida.
3. O Sacramento do Matrimônio confere graça santificante sobre as partes contratantes.
 
XV. Unção dos Enfermos

1. A extrema Unção é um Sacramento verdadeiro e distinto instituído por Jesus Cristo.
2. A matéria remota da Unção dos Enfermos é óleo.
3. A forma consiste na oração do sacerdote para a pessoa doente a quem realiza a unção.
4. A Unção dos Enfermos dá a pessoa doente graça santificante a fim de animar e fortalecê-la.
5. A Unção dos Enfermos efetiva a remissão de pecados graves ainda remanescentes e os pecados veniais. (Note-se que, isso se dá apenas no caso da contrição e do arrependimento sincero de todos os pecados, caso contrário é sacramento sacrílego e inválido de quem recebe)
6. A Unção dos Enfermos efetiva algumas vezes a restauração da saúde corpórea, se isso resulta numa vantagem espiritual.
7. Apenas os Bispos e os sacerdotes podem administrar validamente a Unção dos Enfermos.
8. A Unção dos Enfermos pode ser recebida apenas pelos Fiéis que estão seriamente doentes.

 
XVI. As Novíssimas

1. Na presente ordem da salvação, a morte é um castigo para o pecado.
2. Todo o ser humano sujeito ao pecado original é sujeito à lei da morte.( A única exceção foi Maria, que nasceu sem a culpa original. Mesmo assim, para não ser diferente de seu Filho, também ela desejou passar pela morte, embora tenha sido levada aos céu de corpo e alma)
3. As almas dos justos que no momento da morte estão livres de toda a culpa do pecado e castigo do pecado entram no Céu.
4. A felicidade do Céu dura por toda a eternidade.
5. O grau da perfeição da Visão Beatífica concedida para o justo é proporcional ao mérito de cada um. (Este mérito se conquista pelas graças alcançadas em vida)
6. As almas daqueles que morrem na condição de grave pecado pessoal entram para o Inferno. (Deve-se sempre ter em mente, que como disse São Bernardo, entre o momento da morte e a eternidade, existe ainda um abismo de misericórdia. Ou seja: milhões de pessoas morrem hoje em estado de pecado grave e sem confissão e unção dos enfermos. Mas diante de Deus, do Juiz, elas aceitam que pecaram, se arrependem o vão ao Purgatório expiar suas faltas. Somente as que não aceitam que pecaram se perdem).
7. O castigo do Inferno dura por toda a eternidade.
8. As almas dos justos que, no momento da morte, estão carregadas de pecados veniais ou castigos temporais devido aos pecados, entram no purgatório. (Note-se que o Purgatório é temporário)
9. No fim do mundo Cristo voltará novamente na glória para pronunciar o julgamento.
10. Todos os mortos se levantarão novamente no último dia com os seus corpos.
11. Todo o morto se levantará novamente com o mesmo corpo que ele teve sobre a terra.
12. O Cristo, na sua segunda vinda, julgará todos os homens.

O Santo do Dia.


5 de outubro.


São Benedito, o Negro
1526-1589

Hoje comemora-se o dia de são Benedito, um dos santos mais queridos e cuja devoção é muito popular no Brasil. Cultuado inicialmente pelos escravos negros, por causa da cor de sua pele e de sua origem - era africano e negro -, passou a ser amado por toda a população como exemplo da humildade e da pobreza.
Esse fato também lhe valeu o apelido que tinha em vida, "o Mouro". Tal adjetivo, em italiano, é usado para todas as pessoas de pele escura e não apenas para os procedentes do Oriente. Já entre nós ele é chamado de são Benedito, o Negro, ou apenas "o santo Negro".
 
Benedito Manasseri nasceu em 1526, na pequena aldeia de São Fratelo, em Messina, na ilha da Sicília, Itália. Era filho de africanos escravos vendidos na ilha. O seu pai, Cristóforo, herdou o nome do seu patrão, e tinha se casado com sua mãe, Diana Lancari. O casamento foi um sacramento cristão, pois eram católicos fervorosos. Considerados pela família à qual pertenciam, quando o primogênito Benedito nasceu foram alforriados junto com a criança, que recebeu o sobrenome dos Manasseri, seus padrinhos de batismo.
 
Cresceu pastoreando rebanhos nas montanhas da ilha e, desde pequeno, demonstrava tanto apego a Deus e à religião que os amigos, brincando, profetizavam: "Nosso santo mouro". Aos vinte e um anos de idade, ingressou entre os eremitas da Irmandade de São Francisco de Assis, fundada por Jerônimo Lanza sob a Regra franciscana, em Palermo, capital da Sicília. E tornou-se um religioso exemplar, primando pelo espírito de oração, pela humildade, pela obediência e pela alegria numa vida de extrema penitência.
 
Na Irmandade, exercia a função de simples cozinheiro, era apenas um irmão leigo e analfabeto, mas a sabedoria e o discernimento que demonstrava fizeram com que os superiores o nomeassem mestre de noviços e, mais tarde, foi eleito o superior daquele convento. Mas quando o fundador faleceu, em 1562, o papa Paulo IV extinguiu a Irmandade, ordenando que todos os integrantes se juntassem à verdadeira Ordem de São Francisco de Assis, pois não queria os eremitas pulverizados em irmandades sob o mesmo nome.
 
Todos obedeceram, até Benedito, que sem pestanejar escolheu o Convento de Santa Maria de Jesus, também em Palermo, onde viveu o restante de sua vida. Ali exerceu, igualmente, as funções mais humildes, como faxineiro e depois cozinheiro, ganhando fama de santidade pelos milagres que se sucediam por intercessão de suas orações.
 
Eram muitos príncipes, nobres, sacerdotes, teólogos e leigos, enfim, ricos e pobres, todos se dirigiam a ele em busca de conselhos e de orientação espiritual segura. Também foi eleito superior e, quando seu período na direção da comunidade terminou, voltou a reassumir, com alegria, a sua simples função de cozinheiro.

E foi na cozinha do convento que ele morreu, no dia 4 de abril de 1589, como umsimples frade franciscano, em total desapego às coisas terrenas e à sua própria pessoa, apenas um irmão leigo gozando de grande fama de santidade, que o envolve até os nossos dias.
 
Foi canonizado em 1807, pelo papa Pio VII. Seu culto se espalhou pelos quatro cantos do planeta.
Em 1652, já era o santo padroeiro de Palermo, mais tarde foi aclamado santo padroeiro de toda a população afro-americana, mas especialmente dos cozinheiros e profissionais da nutrição.
E mais: na igreja do Convento de Santa Maria de Jesus, na capital siciliana, venera-se uma relíquia de valor incalculável: o corpo do "santo Mouro", profetizado na infância e ainda milagrosamente intacto.

Assim foi toda a vida terrena de são Benedito, repleta de virtudes e especiais dons celestiais provindos do Espírito Santo.



Santa Maria Faustina Kowalska
1905-1938

Não podemos dizer que exista alguma novidade numa irmã que fale sobre a Misericórdia Divina e do nosso dever de ser misericordioso. Assim como sabemos que, sob a insígnia da Misericórdia, nasceram muitas comunidades e instituições cristãs, ao longo de todos os tempos. O diferencial de santa Faustina foi ter dado vida, sob essa insígnia, a um grande movimento espiritual, justamente quando a humanidade mais carecia de misericórdia: entre as duas guerras mundiais.
 
Nascida na aldeia Glogowiec, na Polônia central, no dia 25 de agosto de 1905, em uma numerosa família camponesa de sólida formação cristã, foi batizada com o nome de Helena, terceira dos dez filhos de Mariana e Estanislau Kowalski. Desde a infância, sentiu a aspiração à vida consagrada, mas teve de esperar diversos anos antes de poder seguir a sua vocação. Mas desde aquela época só fez percorrer a via da santidade.
 
Aos dezesseis, anos deixou a casa paterna e começou a trabalhar como doméstica, na cidade de Varsóvia, da Polônia independente. Lá, maturou na oração a sua verdadeira vocação de religiosa. Assim, em 1925, ingressou na Congregação das Irmãs da Bem-Aventurada Virgem Maria da Misericórdia, adotando o nome de Maria Faustina. O carisma desse Instituto está voltado para a educação das jovens e para a assistência das mulheres necessitadas de renovação espiritual. Após concluir o noviciado e emitir os votos perpétuos, percorreu diversas casas, exercendo as mais diversas funções, como cozinheira, jardineira e porteira. Teve uma vida espiritual muito rica de generosidade, de amor e de carismas, que escondeu na humildade do seu cotidiano.
 
Irmã Faustina, como era chamada, ofereceu-se a Deus pelos pecadores, sobretudo por aqueles que tinham perdido a esperança na Misericórdia Divina. Nutriu uma fervorosa devoção à Eucaristia e à Virgem Maria, e amou intensamente a Igreja. Com freqüência, era acometida por visões e revelações, até que seu confessor e diretor espiritual lhe sugeriu anotar tudo. Assim, em 1934 ela começou a escrever um diário, intitulado "A Divina Misericórdia em minh'alma", mais tarde traduzido e publicado em vários países.
 
Em seu diário, irmã Faustina escreveu que à perfeição chegamos através da união íntima da alma com Deus, e não por meio de graças, revelações ou êxtases. Ela se manteve sempre tão humilde que não acreditava, na sua própria experiência mística, um sinal de santidade. Expressou todo o seu amor ao Senhor por meio de uma fórmula muito simples, que fez questão de propagar entre os fiéis: "Jesus, confio em vós". 
 
Consumida pela tuberculose, ela morreu no dia 5 de outubro de 1938, com apenas trinta e três anos de idade, na cidade de Cracóvia, Polônia.

Beatificada em 1993, foi proclamada santa Maria Faustina Kowalski pelo papa João Paulo II em 2000. As suas relíquias são veneradas no Santuário da Divina Misericórdia, de Cracóvia.



Francisco Xavier Seelos
Bem-aventurado
1819-1867

Francisco Xavier Seelos nasceu no dia 11 de janeiro de 1819, em Füssen, na região da Baviera, Alemanha. Era um entre os onze filhos do casal Magno e Francisca, e teve na família o grande incentivo para sua vida de consagração a Deus. Seu pai, um simples comerciante de tecidos, a partir de 1830 passou a ser o sacristão na paróquia de São Magno, da sua cidade natal. Assim foi que o menino Francisco, após concluir os estudos filosóficos, seguiu admitido no Seminário de Mônaco da Baviera em 1842.
 
No mesmo ano, abraçou o carisma da Congregação do Santíssimo Redentor, fundada por santo Afonso Maria de Ligório. Mas, impressionado com as informações sobre a falta de assistência religiosa e social com que se deparavam os imigrantes alemães nos Estados Unidos da América do Norte, pediu para trabalhar como missionário naquele país.
 
Assim, partiu em 1843. Após um ano de noviciado, recebeu a ordenação sacerdotal na igreja de São Tiago de Baltimore, em Maryland, nos Estados Unidos, dedicando todo o seu apostolado à causa dos imigrantes alemães naquele país. Alguns meses depois, foi transferido para Pittsburg, na Pensilvânia, onde trabalhou como vice-pároco de João Neumann, superior da comunidade dos redentoristas e, hoje, também venerado como santo pela Igreja Católica.
 
Participou nas "Missões das Paróquias" em várias localidades, sempre se distinguindo como grande pregador, bom confessor e zeloso pastor dos pobres e marginalizados. O ponto fundamental do seu apostolado era o ensino da catequese para o crescimento da comunidade paroquial.
 
Cuidou, também, da formação de outros redentoristas. Sendo o encarregado de estudos, infundia nos seminaristas entusiasmo, espírito de sacrifício e zelo apostólico.
 
Em 1860, o bispo de Pittsburg propôs ao papa Pio IX o nome de Francisco Xavier Seelos como seu sucessor, mas este escreveu ao sumo pontífice pedindo que fosse nomeado outro sacerdote no seu lugar.
 
Depois disso, entre 1863 e 1866, trabalhou como missionário itinerante em vários outros estados e, quando lhe foi designada a comunidade de New Orleans, ali permaneceu pouco tempo, pois, na assistência pastoral a vários doentes, contraiu a febre amarela. Ele suportou a enfermidade com paciência e resignação, mas foi obrigado a afastar-se de quase todas as atividades pastorais. Faleceu na noite de 4 de outubro de 1867.
 
Francisco Xavier Seelos foi beatificado no solene Ano Jubilar de 2000 pelo papa João Paulo II, que designou sua comemoração litúrgica para o dia seguinte à data de sua morte.


sexta-feira, 30 de setembro de 2011

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DIA:30-09-2011















A força do intercessor

Moisés não ora por si, mas pelos outros
Em nosso batismo fomos feitos sacerdotes, capazes de oferecer a Deus sacrifícios agradáveis, também em favor dos outros. Quantas situações nos são apresentadas diante dos olhos e intimidam nosso coração a uma atitude em favor de alguém ou de algo? Será que aí não estão uma escolha e um convite do Espírito Santo para interceder?

Foi Deus quem chamou Moisés, e agora também nos chama de um lugar que arde, mas que não é a sarça. Chama-nos em nosso coração e abrasa-o com Seu Espírito Santo a fim de enviar-nos, para partilhar de Sua compaixão com os que sofrem, para colaborar em Sua obra de salvação.
Deus está vivo e quer contar com homens e mulheres que estejam dispostos a levar a vida que Ele tem e dá àqueles que se perderam.Todos os que amam sinceramente a Deus não cessam de rezar pelos pobres pecadores.
Diz a Sagrada Escritura que Deus falava com Moisés face a face como um homem fala com o outro (cf. Ex 33,11). Só quem é capaz de gastar seu tempo na presença do Senhor pode experimentar a força da oração intercessora e ver o Seu poder.
Um Deus cheio de misericórdia e amor ensinou Moisés, na intimidade, que é preciso ter um coração generoso, lento para a cólera, pronto para amar e fazer o bem. Foi nessa intimidade amorosa que a oração desse profeta se tornou potente. Ele não ora para si, mas pelos outros, pelo povo de Deus, e foi capaz de enfrentar a Deus por amor de seu povo, bem como enfrentar seu povo por amor de Deus. Ele era um homem ousado, inflamado pela experiência do amor de seu “amigo Deus”.
A oração de intercessão é profundamente agradável a Deus, pois é desprovida do veneno de nosso egoísmo. Quando rezamos pelos outros, saímos de nós mesmos, de nosso mundinho de mesquinhez e experimentamos o mesmo que Dom Bosco: Deus nos colocou no mundo para os outros.

Jesus viveu para os outros, viveu para o Pai e para nós, esquecendo-se de Si mesmo. Ele é o único intercessor junto ao Pai em favor de todos os homens.
Interceder é pedir em favor de alguém, de maneira especial por aqueles que mais necessitam. Só quem experimentou a misericórdia do Senhor pode interceder com eficácia, pois ninguém pode dar o que não recebeu. É um coração misericordioso que faz a nossa oração agradável a Deus.
O intercessor só pode ser um homem cheio do Espírito, pois o Espírito Santo é o Paráclito, Ele mesmo intercede por nós com gemidos inefáveis. Se estar cheios do Espírito nos leva a interceder, o contrário também é verdade: interceder vai nos fazendo cada vez mais plenos do Espírito Santo; basta que Ele veja um coração determinado à intercessão, que já vem logo ensinar como fazê-lo.

A vontade de Deus na vida profissional

Façamos tudo para a glória de Deus
A profissão de cada um é um meio para se fazer a vontade de Deus no dia a dia. Viver mal a profissão, trabalhar mal, sem competência e bom desempenho é uma forma de desobedecer à vontade de Deus. O trabalho foi colocado em nossa vida, por Deus, como “um meio de santificação”. Depois que o homem pecou no paraíso e perdeu o “estado de justiça” e “santidade” originais, Deus Pai fez do trabalho um meio de redenção para o homem.

“Porque escutaste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te proibira de comer, maldito é o solo por causa de ti. Com sofrimentos dele te nutrirás todos os dias de tua vida. Ele produzirá para ti espinhos e cardos e comerás a erva dos campos. Com suor do teu rosto comerás teu pão até que retornes ao solo, pois dele foste tirado” (Gen 3,17-19).

Mais do que um castigo para o homem, o trabalho foi inserido na sua vida para a sua redenção. Por causa do pecado ele agora é acompanhado do “suor”, mas este sofrimento Deus o fez matéria-prima de salvação.

Sem o trabalho do homem não há o pão e o vinho que, na Mesa Eucarística, se transformam no Corpo e no Sangue de Cristo. Sem o trabalho do homem não teríamos o pão de cada dia na mesa, a roupa, a casa, o transporte, o remédio, a cultura, entre outros. Tudo que chega a nós é fruto do trabalho de alguém; é por isso que o labor é santo e nos santifica quando realizado com fé, conforme a vontade de Deus.

São Josemaría Escrivá, fundador do Opus Dei, durante a celebração de uma Santa Missa, no campus da grande universidade de Navarra, na Espanha, fez uma histórica homilia, como título “Amar o Mundo Apaixonadamente”.  Ele fundou a prelazia para difundir a santidade no trabalho profissional e nas atividades diárias. Na homilia, ele falava da necessidade de "materializar a vida espiritual". O objetivo era combater a perigosa tentação do cristão de "levar uma espécie de vida dupla: a vida interior, a vida de relação com Deus, por um lado; e, por outro, diferente e separada, a vida familiar, profissional e social, cheia de pequenas realidades terrenas".

Santo Escrivá, um santo dos nossos dias, canonizado em 2002 por João Paulo II, olhava a vida com grande otimismo e considerava o trabalho e as relações humanas com alegria e dizia que: "O mundo não é ruim, porque saiu das mãos de Deus". "Qualquer modo de evasão das honestas realidades diárias é para os homens e mulheres do mundo coisa oposta à vontade de Deus".

Na verdade, somente com essa ótica podemos entender plenamente o mundo com os olhos de Deus. Nem o marxismo cultural, materialista e ateu, nem o consumismo desenfreado de nossos dias, nem o hedonismo, que busca o prazer como fim, podem dar ao homem moderno a felicidade e a verdadeira paz.

Qualquer que seja o trabalho, sendo honesto, é belo aos olhos de Deus Pai, porque com ele estamos “cooperando com Deus na obra da criação”. Não importa se o trabalho consiste nos simples afazeres de uma doméstica ou nas complicadas tarefas de um cirurgião que salva uma vida, tudo é importante diante do Senhor. O que mais importa é a intensidade do amor com que cada trabalho é realizado. Ele se tornará eterno na vida futura.

São Josemaría Escrivá falava da necessidade de o Cristianismo ser encarnado na vida cotidiana.

“Tudo o que fizerdes, fazei-o de bom coração, como para o Senhor e não para os homens. Sabeis que recebereis como recompensa a herança das mãos do Senhor. Servi ao Senhor Jesus Cristo” (Col 3,13).

Tudo o que fazemos deve ser feito “para o Senhor”. Não importa o que seja, se é grande ou pequeno, deve ser feito tendo o Senhor como o “Patrão”. Se você é lavadeira, então lave cada camisa ou cada calça como se o próprio Jesus fosse vesti-las.
Se você cozinha, faça a comida como se o Senhor fosse comê-la. Se você é um pintor de paredes, pinte a casa como se ela fosse a morada do Senhor. Se você varre a rua, limpe-a como se o Senhor fosse passar por ela... Se você é um aluno, estude a lição como se o professor fosse o Senhor Deus.

É isso que São Paulo quer nos ensinar quando diz que “tudo deve ser feito de bom coração, como para o Senhor, e não para os homens”. É claro que com essa “nova ótica”, você vai trabalhar da melhor maneira possível, com todo o  talento, cuidado, dedicação, competência, honestidade, pontualidade... perfeição, porque o fará para Deus. Isso santifica. Isso muda a nossa vida; e é a vontade de Deus. Isso o fará feliz. Quando trabalhamos assim, toda a vida se torna “sagrada”, pois é vivida plenamente para Deus.

É importante também notar o que São Paulo diz a seguir: “Sabeis que recebereis como recompensa a herança das mãos do Senhor”. Que “herança” é essa? É a vida eterna, o céu, o prêmio, por você ter sido “fiel no pouco”. Isso mostra que cada minuto do nosso labor aqui na terra, vivido por amor a Deus, com “reta intenção” de agradá-Lo, se transforma em semente de eternidade.

Nosso padroeiro

Santo do Dia
SÃO JERÔNIMO

São JerônimoNeste último dia do mês da Bíblia, celebramos a memória do grande "tradutor e exegeta das Sagradas Escrituras": São Jerônimo, presbítero e doutor da Igreja. Ele nasceu na Dalmácia em 340, e ficou conhecido como escritor, filósofo, teólogo, retórico, gramático, dialético, historiador, exegeta e doutor da Igreja. É de São Jerônimo a célebre frase: "Ignorar as Escrituras é ignorar a Cristo".

Com posse da herança dos pais, foi realizar sua vocação de ardoroso estudioso em Roma. Estando na "Cidade Eterna", Jerônimo aproveitou para visitar as Catacumbas, onde contemplava as capelas e se esforçava para decifrar os escritos nos túmulos dos mártires. Nessa cidade, ele teve um sonho que foi determinante para sua conversão: neste sonho, ele se apresentava como cristão e era repreendido pelo próprio Cristo por estar faltando com a verdade (pois ainda não havia abraçado as Sagradas Escrituras, mas somente escritos pagãos). No fim da permanência em Roma, ele foi batizado.

Após isso, iniciou os estudos teológicos e decidiu lançar-se numa peregrinação à Terra Santa, mas uma prolongada doença obrigou-o a permanecer em Antioquia. Enfastiado do mundo e desejoso de quietude e penitência, retirou-se para o deserto de Cálcida, com o propósito de seguir na vida eremítica. Ordenado sacerdote em 379, retirou-se para estudar, a fim de responder com a ajuda da literatura às necessidades da época. Tendo estudado as línguas originais para melhor compreender as Escrituras, Jerônimo pôde, a pedido do Papa Dâmaso, traduzir com precisão a Bíblia para o latim (língua oficial da Igreja na época). Esta tradução recebeu o nome de Vulgata. Assim, com alegria, dedicação sem igual e prazer se empenhou para enriquecer a Igreja universal.

Saiu de Roma e foi viver definitivamente em Belém no ano de 386, onde permaneceu como monge penitente e estudioso, continuando as traduções bíblicas, até falecer em 420, aos 30 de setembro com, praticamente, 80 anos de idade. A Igreja declarou-o padroeiro de todos os que se dedicam ao estudo da Bíblia e fixou o "Dia da Bíblia" no mês do seu aniversário de morte, ou ainda, dia da posse da grande promessa bíblica: a Vida Eterna.